a árvore amanhece todos os dias
existe rasgando o horizonte com passáros-de-papel
como se tivesse um coração que enche a consciência sombria dos homens
que a circundam em profundo quietismo
capaz de derramar o ar com um gesto
Maria Costa
a árvore amanhece todos os dias
existe rasgando o horizonte com passáros-de-papel
como se tivesse um coração que enche a consciência sombria dos homens
que a circundam em profundo quietismo
capaz de derramar o ar com um gesto
Maria Costa
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desde as distâncias uma voz
abrindo-se em caminho
de sede e infância
bailado dos dias caídos
que se afundam sobre a terra
igual ao tempo indelével
da mão sobre os ombros exaltados
da memória
Maria Costa
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quando não existe o mundo
semeio jardins no meu quarto
em opostas águas
desconhecidas palavras
florescem no coração de ninguém
Maria Costa
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caminho com a esperança
de não ser a voz de ninguém
algo menos que fogo
tem que haver
para dizer esta ardência
a palavra não pode ser algo
tão fácil
traçando lentamente espirais
sobre a água calma
ou
como um sol
cego por si mesmo
Maria Costa
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não sinto outro descanso
nem procura
chove sobre meus olhos
da tua boca amanhecida
muda como ferida
dir-se-ia que há dias em que tanto mel
me embriaga
outro perfume nasce em mim
( por contágio do poema de Maat - "de regresso a casa" )
Maria Costa
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esta casa dividida
a minha própria ausência
perguntas infinitas
saindo do seu leito como rios alucinados
nada está escrito em parte alguma
só o canto favorável para o fogo
ou essa porta possível para o dia
o corredor se ilumina
por dentro das paredes vazias
como se fosse a vida
nas horas da noite lenta
Maria Costa
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