XX


do teu amanhecer ao meu
há um silêncio de neve



Maria Costa

XIX



na primeira água das manhãs
partes fiel à insónia
à inevitável cegueira do poeta



Maria Costa

XVIII


"cercou-se de luz e cântaros
com a foice que trazia cortou os ramos
mais tenros do dia"

mariah





amo o que há de ambíguo no olhar
as horas como pedra sobre pedra
a desmontar os muros

não sei como explicar
o fundo enevoado do tempo
o clamor da nossa nudez
a reinventar o vazio

há um barco que chega onde flutua o teu peito
um fuzil de fogo que diz vibrando
as mãos frágeis como ramos




Maria Costa