07/08/08

XVIII


"cercou-se de luz e cântaros
com a foice que trazia cortou os ramos
mais tenros do dia"

mariah





amo o que há de ambíguo no olhar
as horas como pedra sobre pedra
a desmontar os muros

não sei como explicar
o fundo enevoado do tempo
o clamor da nossa nudez
a reinventar o vazio

há um barco que chega onde flutua o teu peito
um fuzil de fogo que diz vibrando
as mãos frágeis como ramos




Maria Costa

8 comentários:

inatingivel disse...

porquê explicar o sentir?

momento pertencido,
pensamento percebido.

ondas livres,
viveres entregues.

é a luz que nos escolhe!

pin gente disse...

encontra-se a paz
voa-se
não!
paira-se no ar...

um abraço (gostei de te reencontrar)
luísa

adelaide amorim disse...

As palavras se reinventam e desdobram sentidos como as manh�s muito novas - eis o poema.

lupussignatus disse...

delicada

cantaria

J.T.Parreira disse...

Maria,
descobri este blog agora. este poema está belíssimo. Não há um verso a destacar- poderia haver- há toda a poesia.
Um abraço
João

gabriela rocha martins disse...

reinventas.te em cada momento

ÚNICA

e eu sinto saudades

MUITAS

em [re]ler.te


.
um beijo

d'Angelo disse...

Amo o que há de ambíguo nestes versos, as palavras como pétala sobre pétala preenchendo o vazio, barcos anunciados por fuzis e mãos delicadas que os criaram.

luís nunes disse...

gostei muito.