28/08/08

XX


do teu amanhecer ao meu
há um silêncio de neve



Maria Costa

07/08/08

XVIII


"cercou-se de luz e cântaros
com a foice que trazia cortou os ramos
mais tenros do dia"

mariah





amo o que há de ambíguo no olhar
as horas como pedra sobre pedra
a desmontar os muros

não sei como explicar
o fundo enevoado do tempo
o clamor da nossa nudez
a reinventar o vazio

há um barco que chega onde flutua o teu peito
um fuzil de fogo que diz vibrando
as mãos frágeis como ramos




Maria Costa

17/07/08

XVII


vou deixando mundos para trás,
sílabas de mim.
como se o corpo fosse:
metade de morte em mim
e a outra metade morte de mim

no ar onde pertencem meus passos
sigo sendo menina

estirada de fadiga
jamais abandono o livro sagrado
em teus versos

quero morrer neste sono
no íntimo abrigo
de ser um lugar sempre alheio
como o amor




Maria Costa