dá-me o vagar da tua mão
como se nunca partisses pela estrada
ou pelos outeiros da noite
Maria Costa
dá-me o vagar da tua mão
como se nunca partisses pela estrada
ou pelos outeiros da noite
Maria Costa
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abeiro-me agora dos rios ocultos
vestida de solidão para reconhecer a terra
busco no brilho das águas minha sede
pertenço a esse silêncio
onde a chuva deixou assomar flores,
neste território em que a solidão habita deuses
cresço luz de um sonho antepassado
alimentado na paz dos pássaros
queda de folhas lúcidas
essência das palavras
entre os dedos do fogo
Maria Costa
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vi-me nascer, crescer, sem ruído
sem galhos que doam como braços
calada
sem palavra para ferir no ventre
Maria Costa
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não pertencer a ninguém
ser água na água
retornar com os círculos da pedra
que desce à íntima escuridão
sem voz, tornar-se círculo
amar
como devem amar os gerânios
as crianças e os cegos
Maria Costa
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existe uma solidão no espaço interior do inconsciente.
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talvez tenha vindo nesta viagem para te respirar no vazio das árvores. depois do temporal. foi na tempestade que cresci.
habituei os ouvidos à voz quando descia pelas escadas da noite.
há uma linha de névoa longínqua que parece recolher todas as linhas que existem à tua frente…
canta na catedral.
Maria Costa
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partilhamos a dureza da Luz sobre os dias
descendo o poço que há em nós
saudei-te naquele que passava
em grandes estátuas de silêncio
“Era ainda pequena, regressava do mar, e tudo estava à mesma distância dos nomes”
o marulhar do oceano soltou o peso da respiração
e encontrou uma margem para descansar
como náufrago que deixa de acreditar
desliza na multidão de olhos fechados
“Antes, estava só.Hoje, ainda mais só, por imaginar Tudo.”
afasta as ramagens,
empresta-lhes todas as vidas que tiveres.
possam resgatar os regatos da Luz
Maria Costa
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névoa de águas anteriores
lembrança de um mar
que não cabe na pupila de deus
Maria Costa
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